São poucas as coisas que me fazem
perder a cabeça. Até porque eu preciso muito dela e não posso me dar ao luxo de
perdê-la por aí em qualquer lugar, por qualquer bobagem.
O transito às vezes me irrita,
supermercado lotado, fila de banco, sapato apertado, conversa de gente chata.
Tudo isso me tira do sério, mas sem perder a cabeça.
Às vezes é preciso perder a
cabeça, e isso pode ser delicioso... Pode durar um segundo, uma música, uma
dança, uma noite inteira e ficar para sempre na lembrança. Quando se perde a
cabeça quem assume o controle é o coração.
Perder a cabeça é algo que você
faz depois de pensar muito. Essa historia de: Perdi a cabeça sem querer! Isso é
a maior besteira. Quem perde a cabeça, perde porque quer, e quer muito. Escolhe
o motivo a dedo e escolhe muito bem para dificilmente se arrepender.
No transito, no supermercado
lotado, na fila do banco não perdemos a cabeça. Perdemos a paciência, nos
irritamos, nos estressamos, saímos do sério. Podemos perder até a classe, mas
nunca a cabeça.
A cabeça, nós perdemos em outros
lugares. Um olhar, um toque, um sorriso, uma possibilidade... Essas coisas que
te dão um frio na espinha, arrepiam a pele e te colocam borboletas no estomago.
Isso sim é de perder a cabeça.
Eu já perdi a cabeça muitas
vezes, e todas elas foram milimetricamente planejadas. Perco a cabeça toda vez
que me apaixono. Toda vez que faço alguma coisa que no primeiro impulso talvez
não fizesse. Perco a cabeça quando me deixo levar pela vida ao sabor do vento. Quando
deixo de ouvir a voz da razão. Quando paro de me preocupar se isso ou aquilo
vai dar certo.
Já li uma frase que dizia que “uma
vez por ano é lícito perder a cabeça”. Exagerada como sou, perco varias vezes, em todas as oportunidades possíveis e normalmente pelos mesmos motivos.
Respire fundo você também, permita-se,
divirta-se e depois me conta se não vale à pena perder a cabeça de vez em
quando.

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