Um dia desses uma amiga me
convidou, ou melhor, me intimou a ajudá-la a fazer uma organização monstro nos
seus armários. Ela ainda guarda os cadernos que usava na faculdade. E lá já se
vão mais de 15 anos de formada.
Ela me chamou para essa missão
porque já é sabido das pessoas que me conhecem a minha intimidade com a
organização e minha mania de colocar coisas inúteis fora.
Sempre fui assim. Não usei no último
ano, vai para a doação. Não funciona, vai para o conserto, não gosto mais vai
fora, e assim sempre foi... Ou não!?
Parei para pensar...
Será realmente que tenho esse dom
para me desfazer das tranqueiras, ou será que como não posso me desfazer do que
realmente me incomoda, acabo descontando nas tranqueiras?
Porque é tão difícil nos desfazermos
das mágoas, das más lembranças do que daquele vestido lindo que sabemos que nunca
mais vai servir?
Assim como abrimos espaço no
armário para coisas novas nos livrando das antigas e usadas, temos que abrir
espaço em nossas vidas e em nossos corações para boas emoções, bons
sentimentos, boas lembranças. Precisamos jogar fora tudo aquilo que representa
a dor e o sofrimento, tudo aquilo que um dia pode ter sido bom, mas que agora
não serve para muita coisa a não ser marcar a página do livro onde a historia
começa a ficar ruim.
Essa limpeza interior às vezes é
necessária, mas muito dolorida, pois é difícil arrancar de nós as coisas com
que convivemos, aprendemos e nos fortalecemos. Mesmo nos momentos ruins temos que
apurar nossa capacidade de aprender e de desprender.
Não podemos ter medo, às vezes é
necessário cortar o cabelo para que ele nasça mais forte, fazer um peeling e ver a pele descamar
e logo adquirir uma nova e mais viçosa. Então é aceitável arrancar o mal não
tão pela raiz, porque em alguns casos o mal já está bem crescido, mesmo que
isso doa, para vermos depois o jardim florescer.
E se formos pensar, nem dói tanto
assim. Dói mais é o tempo que foi perdido regando uma árvore que não vai lhe
dar o privilégio da sombra, não vai lhe presentear com flores e já rendeu os
frutos que tinham de ser colhidos.
Abram as janelas da alma e arejem
seus corações. Novos ares virão, novos amores, novas paixões. A vida se renova
cada vez que nos tornamos disponível as mudanças.
Permita-se...

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