quarta-feira, 12 de setembro de 2012

E POR FALAR EM SAUDADE, ONDE ANDA VOCÊ?




Tem coisas nessa vida que fogem ao nosso controle. A saudade é uma delas. Chega sem pedir licença, sem hora definida, sem data para ir embora. E quando isso acontece temos  que sentir essa saudade por completo sem pular nenhuma fase. Como se fosse uma doença em processo de cura, uma ferida em cicatrização.

Divido a saudade em quatro fases. A primeira é a fase em que a saudade dói. Dói como se alguém estivesse virando teu corpo do lado do avesso e arrancando uma parte de ti com as mãos. É uma dor profunda, aguda, constante. A dor da saudade!

A segunda fase é a fase onde a saudade atrapalha. Ela já não dói tanto, ou pelo menos parece não doer. Mas em compensação, atrapalha. Não há nada que não nos lembre do foco da saudade. A concentração escoa pelo ralo, a paciência se dilui, irracionalmente praticamos um autoflagelo quando deixamos que essas lembranças nos impeçam de vivermos novos acontecimentos.

A terceira fase é quando a saudade nos deixa triste. Ela já não dói mais, já não atrapalha tanto, mas existe e insiste em nos entristecer. É quando as lágrimas brotam sem motivo nenhum. Como uma torneira pingando em um copo de água que a qualquer momento vai transbordar. É uma tristeza perdida no olhar.

A quarta e última fase é a melhor de todas. É a fase em que a saudade é necessária. Onde ela nos ensina a darmos valor a pequenos momentos, pequenos gestos, pequenos amores, pequenos sonhos. É quando a saudade te traz um sorriso ao rosto. Quando é gostoso relembrar. 

Gosto quando ouço uma música e sinto saudade do dia que dancei com alguém especial. Gosto de sentir o cheiro do perfume que lembra um momento mágico. Gosto de sentir o gosto daquelas comidinhas que lembram a infância.

Só sente saudade quem teve a quem amar, quem viveu o momento, quem sentiu o vento no rosto, quem ouviu a música de olhos fechado. Ninguém sente saudades de coisas que não foram boas, que não nos fizeram felizes. Essa evolução de sentimentos nos faz entender que nada nos pertence por completo e nem dura para sempre. Cabe a nós vivenciarmos intensamente cada momento único antes que ele vire apenas uma saudade.

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