Tenho com o Mar uma relação de
amor e respeito. Nunca quis aprender a nadar e sempre tive muito medo do Mar.
Mesmo assim ele me desperta um sentimento de encantamento muito forte. Adoro
olhar o Mar! Sentir seu cheiro, o gosto salgado, sentir o vento que me
desarruma o cabelo como um carinho suave.
Em alguns momentos sinto uma
imensa necessidade de ver o Mar. Ele sem duvida me acalma e me abastece de
energia. É como se as ondas que vão e vêem tivessem o poder de levar os
problemas para bem longe e trazer de volta mais forças para recomeçar.
A correria do dia-a-dia acaba
sugando a nossa energia. Algumas pessoas se reabastecem com uma noite de sono,
um banho de banheira ou simplesmente repensando a vida. Para mim nada disso
funciona cem por cento. A única coisa que me reabastece é o Mar. É uma pena que
ele fique tão longe...
Já pensei muito na vida na beira
da praia. Já chorei muito lá também. Já vi o sol nascer. Já vi a lua cheia
iluminando as águas. Já escrevi meu nome
na areia e vi as ondas apagarem. Já joguei flores no Mar. Já pulei sete ondas. Fiz meus pedidos para Iemanjá. E voltei lá muitas
vezes para agradecer.
Mas toda a vez que sinto o gosto
salgado de uma lágrima, que rola aparentemente sem motivo, percebo que está na
hora de pegar a estrada e lavar a alma.
Nossas vidas são cheias de coisas
boas e outras nem tanto. Alegrias e tristezas, altos e baixos, tormentas e
calmarias. E nessa montanha russa de emoções, procuro me manter ao nível do
Mar, assim qualquer coisa que aconteça é só correr para a praia... Para chorar,
agradecer ou simplesmente respirar e sentir o carinho do vento me despentear.
Quando digo que estou sentindo
saudades do mar, não quer dizer que eu esteja triste. Quer dizer que estou
precisando de um pouco de Paz, um pouco de Tempo, um pouco de Calma, um pouco
de Ar, um pouco de Espaço, um pouco de Mim mesma. Quer dizer que preciso juntar
e colar os pedacinhos que foram se perdendo pelo caminho desde a última vez que
fui ver o Mar.

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