Nesse sábado fui acordada por um
barulho que vinha da rua. Muitos sorrisos e gargalhadas. Uma coisa bem gostosa
de ouvir. Eram crianças sorrindo.
Levantei preparei uma xícara de
café e fui levada até a janela pelo insistente riso que vinha da rua e
preenchia a casa toda. Peguei a câmera, que por força do habito está sempre à
mão, e fotografei a cena.
A foto acima ilustra bem o que eu
vi. Duas meninas que brincavam alegremente em meio as arvores num agradável sol
matinal que iluminava docemente as folhas das arvores, revelando varias nuances
de verde. Elas tinham um riso solto e uma energia invejável. Uma cena bucólica e
ao mesmo tempo saudosista.
Vamos chamar essas duas fadinhas
de Esperança e Alegria.
Esperança e Alegria, dois
sentimentos que nascem conosco e nos acompanham pela vida toda. Às vezes em
proporções diminutas em relação a outros sentimentos mais pesados e desnecessários
a nossa e existência.
Quando, e em que momento essas fadinhas
deixam de fazer parte de nossas vidas? Quando permitimos que se escasseiem os
risos soltos e os olhinhos brilhantes.
Se realmente a alma não
envelhece, temos que concordar que nossa alma é uma dessas meninas ativas,
arteiras, barulhentas e felizes que vemos aqui e ali. Em que momento da vida
então elas tornam-se invisíveis aos nossos olhos. Sim, porque eu vejo muita
gente com alma pesada, velha, dura e rabugenta. Daqueles que reclama de tudo,
acredita em quase nada e se diverte muito pouco.
Preocupamo-nos tanto com a vida
dos outros, os problemas dos outros ou ainda pior, nos preocupamos tanto com
nosso corpo físico. Aparência, beleza, dieta, cabelo, unhas. E lá dentro? Quem
cuida lá de dentro? Quem enfeita e dá lustro a alma? Quem lava, passa e perfuma a alma empoeirada, enxovalhada
e esquecida pendurada no cabide?
Esperança e Alegria não deviam
deixar de sorrir nunca em nossas vidas e devíamos escutar mais vezes esse riso
solto que vem de dentro. Sorrir por fora é fácil e todos nós fazemos isso involuntariamente
até. Mas sorrir por dentro? Falta isso às vezes. E pasmem: depende de nós fazermos
esse agrado à alma e vermos Esperança e Alegria sorrindo e brincando dentro de
nós.
Aí gente, parece conversa de
louco, mas alguns de vocês devem estar me entendendo e concordando que a vida é
curta e que as coisas realmente importantes não é o dinheiro que compra e que deveríamos
cuidar do nosso corpo de dentro para fora.
Um dia eu, você, todo mundo foi
como essas duas aí da foto. E tenho certeza que essa magia ainda está dentro de
nós, mas precisamos acreditar e faze-la acontecer.
Queria dar um tom mais serio e
resoluto a este texto, mas o eufemismo sempre foi uma das minhas características,
tanto na literatura quanto na minha personalidade exageradamente otimista e
fantasiosa a ponto de repetir mil vezes,
Eu acredito em Fadas! Acredito, acredito,
acredito...

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