Quem me conhece sabe o quando eu
gosto de crianças e o quanto, por uma estranha razão, elas gostam de mim.
A minha casa em época de férias
fica como uma cidade turística do interior. A população se triplica. Aparecem
sei lá de onde vários seres que insistem em me chamar de Tia Val. E não adianta
fazer cara feia, porque eles acham que eu estou sempre brincando.
Mas nesse final de semana a coisa
perdeu o controle.
Em comemoração ao aniversário da
minha filha fui para o Shopping com nada menos do que 15 crianças. Isso mesmo!
Treze me chamando de Tia e duas me chamando de Mãe.
Começou com boliche. Meninos
contra meninas. Só para trocar o sapato de todo mundo demorou meia hora, e mais
meia hora pra catalogar os quinze pares por cor, tamanho e cheiro. Sobrevivi e
me diverti rindo sozinha no meio da pilha de tênis.
Depois levei todos para o Megazone (um parque de diversões dentro do shopping) e lá fui torturada por longas três horas em meio a brinquedos barulhentos.
Para cada lado que eu virava
tinha uma criança correndo e me chamando: _Tia Val, tia Val!
Eu marquei com os pais para que
viessem buscá-los às 17h30min porque a partir desse horário eu começaria a
babar espuma verde. Eles também não me levaram a sério e o ultimo pestinha foi
entregue são e salvo para o respectivo pai às 19h30min. E eu sobrevivi.
Juro que num determinado momento
eu olhei para um canto e vi a Luz. Juro! Tinha uma escada que eu acho que levava para o
céu e lá no final tinha uma luz que me chamava dizendo: _ Pode vir minha filha,
você está perdoada. Venha para a Luz...
Mas na mesma hora alguém gritou
dizendo que um dos pestinhas estava precisando ir ao banheiro e não sabia onde
era. Perdi a chance de ir para o céu sem escala.
Era cômico para não dizer
trágico, eu andando atrás de cada criança repetindo: _ Se teu pai vier te
buscar não vai embora sem dar tchau pra “Tia”! Afinal de contas eu não podia
perder ninguém e tinha que ter certeza que todos estavam entregues e ticados na
minha lista. Lista imaginária claro. Porque vocês sabem que tenho mania de
perder listas. Nessa tarde a palavra “perder” me ecoava com um fundo musical do
filme Psicose do Hitchcock.
A essa altura meu salto alto
parecia uma maquina de tortura medieval e eu com certeza estava irreconhecível de
tão cansada. Mas no final deu tudo certo e minha filha ficou feliz. E isso é o
que importa.
O melhor mesmo foi no outro dia
quando minha filha estava conversando com uma das amiguinhas no MSN e a
menininha disse: _ Tua festa estava muito legal e tua mãe é mesmo muito
sinistra. Queria que minha mãe fosse assim!
Um dia ainda descubro porque
esses monstrinhos me amam tanto.
Mas voltando aos meus pecados.
Estão todos perdoados com certeza. O Cara lá em cima deve ter ficado com pena de
mim. Vou entrar 2010 zerada com Ele. Que bom porque já tenho muitas travessuras
em mente para o próximo ano.
Quem sabe até eu roube alguns
doces das criançinhas ou assuste algumas velhinhas...
Brincadeirinha! Não sou tão ruim
assim. Pelo menos não na opinião das crianças.
Texto exibido em 22/11/2009

Nenhum comentário:
Postar um comentário