domingo, 5 de agosto de 2012

EM ALTO MAR




Superação.

Essa foi à palavra de ordem nessas férias.

Quem me conhece sabe o quanto eu tenho pavor de água. Exceto a água servida em copo e em garrafas, ou aquela que sai do chuveiro e, às vezes, aquela bem morninha da banheira (não muito cheia), do resto eu mantenho distância.

Pois é. Andei de barco em Alto Mar.

Água por todos os lados. Água funda. Água que balançava o barco. Água salgada, molhada, e linda.

Tirando essa água toda e o pavor inicial, foi um passeio fantástico.

Ninguém acreditou quando eu falei que queria andar de barco. Todos me olharam como se eu estivesse doente ou doida. Nem me levaram a sério. Só acreditaram quando entrei na fila para comprar o ingresso.

Entrei tremendo de medo. Medo que aumentou quando os saquinhos para enjôo foram distribuídos. Contei e recontei os coletes salva vidas disponíveis chegando a conclusão de que haviam dois para cada um dos tripulantes. Éramos mais ou menos umas trinta pessoas e tinham quatro botes salva-vidas em caso de naufrágio. A matemática estava ao meu favor.

Nessas horas não podemos demonstrar medo, porque sempre tem um engraçadinho para contar uma historia que aconteceu com alguém para te por mais medo ainda.

O passeio durou uma hora que foi dividida em cinco minutos de pavor, dez de medo extremo, trinta de encantamento e quinze de alivio. Tirei muitas fotos. Tinha que guardar esse momento na memória de todas as formas, pois nem eu acreditava no que eu estava fazendo.

Não perdi o medo do Mar, e acho que isso nunca vai acontecer, mas hoje eu mostrei para “ele” que se tiver que peitá-lo, eu peito.

Não é proibido sentir medo nessa vida. Proibido é deixar que o medo nos impeça de viver.

Resolvi fazer uma listinha das coisas que tenho medo de fazer ou de deixar acontecer e vou tentar eliminar o máximo de itens possíveis. Resolvi que vou me arriscar mais e conseqüentemente vou viver com mais intensidade. Sem garantia nenhuma de felicidade, mas com total certeza de satisfação. Afinal de contas não tem nada melhor que vencer um medo.

O medo é necessário para impor limites as nossas vidas. E os limites foram feitos para serem ultrapassados. Afinal de contas quem obedece todas as regras perde toda a diversão.

Texto exibido em 08/02/2010 

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