domingo, 5 de agosto de 2012

O DIA EM QUE EU VOEI


Ainda contando sobre as aventuras das férias, preciso dizer que o tal passeio de Barco em Torres não foi minha única maluquice radical. Depois de ter sobrevivido ao alto Mar resolvi me aventurar no céu azul.

Gente... Eu voei!!! Não... Eu não bebi nada, nem fumei. Eu voei mesmo. De cara limpa.

E agora eu entendo quando a gente diz que a paixão faz a gente levitar. Voar é uma sensação indescritível.

Voei de Paramotor. Uma espécie de Paraglider com motor que não precisa de vento para voar. Um vôo de quinze minutos que valeu por uma vida. Registrei em foto e em vídeo cada um dos minutos que passei lá em cima. Confesso que senti um pouco de medo, mas eu queria muito e tinha de ir. Não tive medo da altura, meu medo era que algo desse errado. Mas deu tudo certo.

Havia mais ou menos umas cinco pessoas na minha frente. Gente o suficiente para me dar tempo de desistir. O vôo teria a duração de quinze minutos. Achei que era até tempo demais. Acompanhei o vôo de todos os meus antecessores e ainda conversei com uma senhora que devia ter os seus mais de 50 anos que me contou que era o seu terceiro vôo e que eu ira adorar.

Quando chegou a minha vez foi tudo tão rápido que quando eu vi já estava cheia de cordas, roldanas e fivelas em volta do corpo, o que me deu uma sensação de que cair eu não cairia. Pelo menos não sozinha, Claudio cairia comigo. Claudio era o meu piloto acompanhante (sim, foi um vôo duplo). Depois de tudo pronto fiquei  esperando para ser engatada no Claudio que acabara de chegar de outro vôo. Perguntei para ele se não queria descansar um pouco ou beber uma água? E nesse meio tempo eu já estava presa a ele e sendo empurrada Morro do Farol abaixo.

A saída foi tão rápida que quase me esqueci de pegar a maquina fotográfica. Acho que eles me amarraram e me jogaram lá de cima antes que eu desistisse. Quando eu respirei já estava a vários metros de altura. Uma sensação indescritível. Nem vento tem lá em cima. Não tem barulho, não tem nada. Só eu e aquele mar imenso aos meus pés. Foi fantástico ver tudo o que eu vi lá de cima.

Nos primeiros minutos, meus movimentos eram pequenos e controlados, mas depois me senti a vontade e me soltei. Fotografei, filmei, abri os braços como o Super Homem. Brinquei como criança. O meu companheiro de vôo se divertia com a minha alegria e me deu boas dicas para as fotos que eu estava tirando. Fez até um rasante para que eu fotografasse as esculturas de areia na beira da praia. Mas fez uma vez só porque eu gritei tanto que ele deve ter ficado surdo.

Os quinze minutos que pareciam intermináveis enquanto eu estava esperando a minha vez, passaram tão rápido que quase não senti. Alias, foi uma pena não ter colocado meu MP3. Para mim que não vivo sem musica, pequei por não ter trazido minha trilha sonora.

Na chegada minha adrenalina estava a mil. Cheguei em terra firme gritando: _Eu voltei, eu voltei!! As pessoas que estavam em volta riram e até aplaudiram. Um mico, como disse a minha filha. Por mim podia ser até um gorila. Nada me tiraria daquele tranze mágico.

Meu marido e meus filhos queriam saber como tinha sido, e eu não conseguia explicar, não me vinham palavras à boca. Era realmente uma sensação inenarrável.

Minha filha de 11 anos empolgada com meu retorno correu para se afivelar e foi voar logo depois de mim. Na volta nos abraçamos e com um olhar de cumplicidade muitas palavras foram ditas no mais profundo silencio. Nos duas não sabíamos como dizer, mas sabíamos exatamente o que a outra estava sentindo. Quem não voou ficou de fora da conversa.

A sorte foi que voltamos para Porto Alegre no outro dia, porque eu já estava procurando na internet informações sobre descida de rapel da Pedra da Guarita.

Eduardo chamou as crianças e disse: _ Vamos voltar para casa antes que a mãe de vocês resolva fazer mais alguma maluquice.

2010 promete...

Texto exibido em 13/02/2010

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