Ainda contando sobre as aventuras
das férias, preciso dizer que o tal passeio de Barco em Torres não foi minha
única maluquice radical. Depois de ter sobrevivido ao alto Mar resolvi me
aventurar no céu azul.
Gente... Eu voei!!! Não... Eu não
bebi nada, nem fumei. Eu voei mesmo. De cara limpa.
E agora eu entendo quando a gente
diz que a paixão faz a gente levitar. Voar é uma sensação indescritível.
Voei de Paramotor. Uma espécie de
Paraglider com motor que não precisa de vento para voar. Um vôo de quinze
minutos que valeu por uma vida. Registrei em foto e em vídeo cada um dos
minutos que passei lá em cima. Confesso que senti um pouco de medo, mas eu
queria muito e tinha de ir. Não tive medo da altura, meu medo era que algo
desse errado. Mas deu tudo certo.
Havia mais ou menos umas cinco
pessoas na minha frente. Gente o suficiente para me dar tempo de desistir. O
vôo teria a duração de quinze minutos. Achei que era até tempo demais.
Acompanhei o vôo de todos os meus antecessores e ainda conversei com uma
senhora que devia ter os seus mais de 50 anos que me contou que era o seu
terceiro vôo e que eu ira adorar.
Quando chegou a minha vez foi
tudo tão rápido que quando eu vi já estava cheia de cordas, roldanas e fivelas
em volta do corpo, o que me deu uma sensação de que cair eu não cairia. Pelo
menos não sozinha, Claudio cairia comigo. Claudio era o meu piloto acompanhante
(sim, foi um vôo duplo). Depois de tudo pronto fiquei esperando para ser engatada no Claudio que
acabara de chegar de outro vôo. Perguntei para ele se não queria descansar um
pouco ou beber uma água? E nesse meio tempo eu já estava presa a ele e sendo
empurrada Morro do Farol abaixo.
A saída foi tão rápida que quase
me esqueci de pegar a maquina fotográfica. Acho que eles me amarraram e me
jogaram lá de cima antes que eu desistisse. Quando eu respirei já estava a
vários metros de altura. Uma sensação indescritível. Nem vento tem lá em cima.
Não tem barulho, não tem nada. Só eu e aquele mar imenso aos meus pés. Foi
fantástico ver tudo o que eu vi lá de cima.
Nos primeiros minutos, meus
movimentos eram pequenos e controlados, mas depois me senti a vontade e me
soltei. Fotografei, filmei, abri os braços como o Super Homem. Brinquei como
criança. O meu companheiro de vôo se divertia com a minha alegria e me deu boas
dicas para as fotos que eu estava tirando. Fez até um rasante para que eu
fotografasse as esculturas de areia na beira da praia. Mas fez uma vez só
porque eu gritei tanto que ele deve ter ficado surdo.
Os quinze minutos que pareciam
intermináveis enquanto eu estava esperando a minha vez, passaram tão rápido que
quase não senti. Alias, foi uma pena não ter colocado meu MP3. Para mim que não
vivo sem musica, pequei por não ter trazido minha trilha sonora.
Na chegada minha adrenalina
estava a mil. Cheguei em terra firme gritando: _Eu voltei, eu voltei!! As
pessoas que estavam em volta riram e até aplaudiram. Um mico, como disse a
minha filha. Por mim podia ser até um gorila. Nada me tiraria daquele tranze
mágico.
Meu marido e meus filhos queriam
saber como tinha sido, e eu não conseguia explicar, não me vinham palavras à
boca. Era realmente uma sensação inenarrável.
Minha filha de 11 anos empolgada
com meu retorno correu para se afivelar e foi voar logo depois de mim. Na volta
nos abraçamos e com um olhar de cumplicidade muitas palavras foram ditas no
mais profundo silencio. Nos duas não sabíamos como dizer, mas sabíamos exatamente
o que a outra estava sentindo. Quem não voou ficou de fora da conversa.
A sorte foi que voltamos para
Porto Alegre no outro dia, porque eu já estava procurando na internet
informações sobre descida de rapel da Pedra da Guarita.
Eduardo chamou as crianças e
disse: _ Vamos voltar para casa antes que a mãe de vocês resolva fazer mais
alguma maluquice.
2010 promete...
Texto exibido em 13/02/2010
Nenhum comentário:
Postar um comentário